Vida de Sueco
Como é a vida de um brasileirinho morando seis meses nas terras geladas da Suécia

Segunda-feira, Março 31, 2003



Bom dia!

Agora são mais duas semanas e meia. Estou feliz. E triste.
Hoje meu amigo Gabriel tá indo. Vou sentir saudade desse Japa doido! No começo achava que não ia ter jeito de eu me dar bem com ele. Era muito doidinho pra minha cabeça. Agora se tornou um irmão mesmo. Brother. Camarada pra vida toda! E eu tô triste porque ela vai embora. Acho que a Suécia começa a ficar vazia dia a dia.

E acho que pra comemorar esse dia, hoje de manhã estava nevando. Em plena primavera. Não, não está aquele frio de antes mas deu até pra voltar a ficar um pouco branco as gramas dos jardins. Eu não esperava ver mais neve por aqui nessa temporada. Acho que foi uma espécie de despedida pro Japa.

Mano, vai com Deus. A gente se cruza por lá. Apesar da distância São Paulo ¿ Floripa não vou deixar de te pentelhar sempre. E ainda tem o computador que você vai arrumar pra mim! Falô irmão...

Essa noite eu tive um sonho estranho. Tinha um filho. E pela primeira vez na minha vida eu podia ver o rosto do moleque. Acordei embasbacado. Cheio de vontade de arranjar logo um molequinho desses. Não...não vou perder a cabeça. Sei que agora tenho muita coisa em que pensar. Mas que o sonho me fez muito bem, isso fez!

E chegando aqui recebo vários emails que me emocionaram. Um foi da Van, que acho deu uma desentendida num email que mandei. Van, leia o que te mandei hoje. Vê se me entende...
Mas entre os desentendimentos próprios de comunicação por via escrita ela deixou esse final.


Um beijão pra você, e aproveita bem suas duas últimas semanas na Suécia... Aproveita para apreciar o céu maravilhoso, para sair com os amigos, rir bastante, tirar muita foto, abraçar as pessoas que conviveram com você durante esse tempo todo... Mais uma etapa na sua vida está terminando, e eu estou muito feliz por você, pode ter certeza disso...



E um email que vou reproduzir aqui. Não sei se ela vai gostar disso, mas Dona Beth, desde já me desculpe, mas eu preciso mostrar ao mundo mães maravilhosas como a senhora.



Eduardo, você não me conhece, eu sou uma mãe que todos os dias de sua vida tem saudades de uma filha que optou morar fora de seu país, tentando ser feliz ao lado de uma pessoa.Acho a visão dela muito ampla e a vontade de viver intensamente aproveitando todas as oportunidades que a vida possa lhe proporcionar, muito grande. Ela teve, tem e sempre terá meu total apoio em toda a sua caminhada. Mas como diariamente entro no blog dela para ter notícias atuais mas ela é muito preguiçosa e fica uma semana sem escrever, eu aproveito para ler os blogs dos amigos dela que constam de seu arquivo, até para saber por eles como é a vida longe ( e muito!) de casa, os sufocos que passam, as saudades, o dia a dia, enfim, por vocês eu tenho um resumo do tempo, política, trabalho e tudo mais. Apesar dela estar aí a muito pouco tempo (foi opção dela morar na Suécia) e ainda não ser tempo suficiente para uma posição definitiva, ela está adorando e pretende ficar sem tempo pra retornar, daí meu aperto no coração.
Leio sempre seu blog (que por sinal gosto muito ), sei que sua jornada está terminando mas agradeça a Deus esta oportunidade que te deu, achei sua experiência maravilhosa (são poucas as pessoas que conseguem ter esta oportunidade, mas acredito ser vontade de muitas) e curta bastante estas 2 últimas semanas pois daqui a 1 ano você estará cheio de saudades de um tempo que não voltará jamais. Que todo este seu aprendizado lhe seja muito útil em sua vida futura e que, quem sabe,volte a Suécia, se não para trabalhar, ao menos para passear e rever os amigos...
E por falar nisso, já dei mil broncas na minha filha pois você já está indo e ela ainda não manteve contato com você. Voce vai gostar muito dela, é uma menina maravilhosa e cheia de sonhos, mas também muito decidida.
Muito sucesso em sua vida profissional e um futuro brilhante para voce. Parabéns a sua mãe por ter um filho tão especial.
Posso te pedir uma coisa? Não termine com seu blog pois sou uma fã de carteirinha.
Um grande abraço desta mãe saudosa que deseja a todos vocês, blogueiros maravilhosos que passam seus experimentos para que outra pessoas possam tirar o sumo e utilizar em suas vidas, SUCESSO!!!
Beth Braz
Eu sou a mãe da Camila, do Boneca de Neve.





Pode ficar tranqüila Dona Beth.Não vou acabar com o Vida de Sueco não. E também vou atrás da sua filha. Vou marcar qualquer coisa. Preciso conhecer essa filha de uma mãe tão especial!

Mãe, a minha, tá tudo bem por aqui. Hoje eu ligo. Agora temos diferença de cinco horas de fuso. Estamos no horário de verão europeu. (Um verão meio gelado eu diria...).

Eu tinha preparado um texto no final de semana pra publicar aqui hoje. Era O Menino, o moço e o velho. E era um encontro de três gerações. Mas fica pra outro post. Eu precisava contar tudo isso aqui.

Até amanhã!

postado por: Eduardo de Paula Silva 9:07 AM
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Sexta-feira, Março 28, 2003



Melancolia e Saudade

Ontem enquando dirigia de Trosa pra Södertälje passei a observar o céu.
O céu aqui na Suécia está realmente muito bonito. É possível ver e admirar as estrelas. Isso no inverno, claro, foi impossível. E não só as noites estão limpas e agradáveis como os dias estão definitivamente muito bonitos. Sol forte, temperatura amena, gente mais alegre pelas ruas. Eu me enquadro nisso. Acho também que ando mais alegre nesses últimos dias. Mas é estranho. É uma alegria misturada com tristeza. Como pode?
Amanhã Denise está indo embora pra casa. Segunda é a vez do Gabriel. Esse último chegou junto comigo, no mesmo dia. Passamos todos esses meses formando uma família e agora a única família que tenho aqui está se desfazendo. A partir de agora estou só. Claro ainda tem muitos brasileiros por aqui, mas ninguém ficou tão próximo de mim como esse moleque, o Gabriel. Talvez as noites agora ganhem um ar um pouco mais triste. Serão noites cinzentas pra mim. Por mais que eu queira me fazer de forte e dizer que são só mais duas semanas sei por experiência que esse tempinho será sim um tempo de eternidade.
Mas tudo bem! Acho que será uma eternidade boa. Um tempo onde todas as coisas que eu vivi aqui serão recordadas, medidas, pesadas e avaliadas. Acho que o saldo final é bastante positivo. Além da experiência de vida eu pude conhecer muita gente bacana, muita gente totalmente diferente de mim e que involuntariamente me ensinou que a diversidade é sim o caminho pro futuro.É preciso sempre aceitarmos as pessoas como elas são. Mudá-las significa transformar o mundo em um mundo irreal. As pessoas existem simplesmente da forma como elas existem. Não devemos moldar ninguém pra que se ajuste ao que queremos ou ao que desejamos. Foi por isso que ganhamos de presente de Deus esse livre-arbítrio tão alardeado mundo afora. Temos o poder da escolha. E isso é o bastante eu acho.


E olhando as estrelas ontem minha cabeça foi longe. Fiquei pensando naquilo que me contavam quando criança. Naquela estória de que as pessoas queridas que partiram se transformaram em estrelas. Acho que nunca tinha dado a importância devida a essa fábula. Mas ela é um elixir salvador. Basta olhar pro céu e imaginar que aquele brilho lá pode representar o sorriso do meu avô protegendo meus passos por aqui. Acho que ele, o velho Seu José deve sim estar olhando por mim. Ele e a Dona Alzira, minha avó. Juntos devem estar acompanhando cada passo que esse neto maluco anda dando por aqui. Um dia sei poderei contar-lhes tudo que eu fiz e sei que cada um deles estará sorrindo pra mim, dizendo com seus olhos que sempre assistiram a tudo e aprovaram meu caminho.
Por isso a partir de agora sempre que eu olhar para o céu estarei procurando aquela que representa cada um deles. E com uma piscadela estarei dizendo.

Vô, Vó, obrigado por me vigiar. Obrigado por ter me dado os pais que me deram. Obrigado por me fazer hoje esse moleque crescido e cheio de responsabilidade. Obrigado por ter me ajudado a trilhar o caminho do bem. Obrigado por ter me feito homem antes do tempo. Obrigado, simplesmente!


E uma lágrima pode até rolar pelo meu rosto. Será uma lágrima de saudade. Saudade de um tempo do molequinho do meu avô. Saudade de pular o portão quando chegava apressado lá na casa dele. Saudade de pular ondas na praia em São Vicente, lá na casa da minha avó.
E acho que vou precisar daquele lençol que sempre meu avô dizia que era necessário para enxugar as minhas lágrimas. E hoje me orgulho disso.

É sim vô, pega o lençol aí. A saudade é grande. De vocês e de todo mundo!

Bom final de semana!

postado por: Eduardo de Paula Silva 12:23 PM
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Quinta-feira, Março 27, 2003

Quem é vivo...

Fala galera!

Andei sumido eu sei. Mas na terça eu tava mesmo sem vontade nenhuma para escrever aqui.
Ontem acabei saindo depois do almoço e o blogger estava "em manutenção" no período da manhã. Por isso fiquei sem aparecer, causando preocupações no povo lá de casa.
Gente, eu tô bem. Aliás melhor impossível. Ontem voltei a ser "legal" no país. O meu visto foi renovado. E também ontem peguei os bilhetes de alforria, digo, da minha volta pra casa.
Tô acreditando não...

Vou deixar agora aqui o post que era pra ter ido ao ar ontem. E se der eu volto aqui hoje.

Tanta coisa...

Crise de criatividade assola os meus dias.
Não sei o que escrever aqui.
Não tenho novidades. Não ganhei na Mega Sena.
Não vou pular de pára quedas.
Continuo gostando de cinema. E novela também.
Continuo o mesmo estressado de antes.
Só vejo na minha frente um monte de nuvem que me separa de casa.
Não paro de sonhar com a minha cama.
Com o meu travesseiro, com as palavras da minha mãe.
Não quero desistir da minha liberdade.
Não quero pular dessa janela. O Sol tá brilhando lá fora.
Quero ir pra Lençóis Maranheses em Junho.
Participar da festa de aniversário Barbie Pink das minhas sobrinhas.
Sair com meu carro por Sampa.
Andar um pouco à pé, sozinho, entrar na 2001 vídeo.
Quero um café com pão de queijo da lanchonete do Espaço Unibanco.
Quero perder horas vendo as novidades dos livros na Saraiva do Frei Caneca.
Quero sair de balada com meus velhos amigos.
Quero conhecer outros lugares com os amigos novos.
Pular na piscina. Jogar futebol na chuva.
Alugar um sítio. Fazer vinte e sete anos.
Mudar de casa. Mudar de roupa. Comprar tudo novo.
Quero viajar, fazer churrasco, tirar a camisa.
Talvez eu queria tirar a roupa toda também, nunca se sabe.
Queria plantar uma árvore. Escrever um livro.
Queria fazer um filho.
Quero reencontrar muita gente.
Quero navegar pelos meus sonhos.
Quero ver você.
É...
Eu quero muita coisa. Mas cada coisa a seu tempo. Em seu lugar.
E quero muito da vida. E a vida, acho, ainda quer muito de mim.
Graças a Deus!

postado por: Eduardo de Paula Silva 8:37 AM
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Terça-feira, Março 25, 2003

Minha mãe....

...sempre me ensinou que quando não se tem nada a dizer o melhor é ficar de boca fechada.
E é assim que será.

Amanhã quando tiver mais o que dizer ou mais vontade de escrever volto aqui.

Té.

postado por: Eduardo de Paula Silva 1:58 PM
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Segunda-feira, Março 24, 2003

Então....



Prometo que essa é a última vez que meu blogger toca no assunto Oscar. Mas preciso comentar a premiação (diga-se de passagem, é a primeira vez que eu perco a festa em pelo menos uns dez anos).

Roman Polanski ganhando o Oscar de diretor foi estranho. Eu apostava tudo que a Academia dessa vez iria saldar a dívida com Scorsese. Por um lado fiquei feliz, acho O Pianista melhor que Gangues e não sou esse fã inveterado do Senhor Scorsese não. Mas como todos sabem o prêmio deveria ser mesmo do Daldry pelo esnobadíssimo e maravilhoso As horas. Só a Nicole Kidman recebeu pelo filme. E injustamente. O papel dela é de coadjuvante, a interpretação apesar de boa é inferior à de muitas outras atrizes esse ano (Juliane Moore só pra citar um exemplo). Adrien Brody ganhando como ator foi bem legal. Nicholson era o melhor mas já ganhou pra caramba. Daniel Day Lewis eu odiei. Nas demais categorias nada de grandes surpresas. Só mesmo O Pianista como roteiro adaptado (eu apostava tudo em As horas) e Fale com Ela do Almodovar levando Roteiro Original (conforme previsto por mim mas que eu achava que não iria acontecer). Chicago acabou a noite com seis prêmio. Acho que foi um bom número. O filme realmente é muito bom mas não merecedor de suas 13 indicações. E salve Caterina Zeta Jones!
O Saldo final : 12 acertos. Poderia ter sido melhor!


Mudando de assunto...



Confirmado. Dia 17 de Abril, quinta feira santa estou deixando a Suécia. 06:50 da matina o avião da KLM me leva de volta a minha terra. Se estou feliz? Ninguém pode imaginar o quanto. Chego na quinta feira mesmo, as 18:00h. E já na sexta-feira santa poderei comer a bacalhoada lá em casa. Sábado quero churrasco, por favor. E domingo já fui avisado : feijoada.
Vou organizar uma festa de boas vindas pra mim mesmo. Quero meus amigos todos reunidos. Minha família. Quero sair sozinho. Quero voltar a ir ao Unibanco Arteplex. Quero voltar a ter a vida de antes. Quero ser um Eduardo parecido com o que saiu de lá uns sete meses atrás. Quero a minha vida de paulista de volta. Do jeito que ela sempre foi mas com um pouco de inovação, mais amigos, mais coragem, mais maturidade. E a mesma liberdade de antes!

E ok, não vou acabar com o blogger. Só não sei como farei para atualizá-lo de lá. A vida em São Paulo é muito mais corrida que essa aqui. Mas vou conseguir um tempo e vou dia a dia contar alguma coisa sobre as minhas impressões do mundo do ponto de vista do Brasil. Talvez eu volte pra Suécia. Mas o Vida de Sueco vai mudar de nome. Talvez se transforme no Vida que já foi Sueca. Sei lá. Quando chegar a hora eu mudo o nome.


E o que será da Vida?

Com a volta pro Brasil muitas coisas serão decididas. São muitas mesmo. Praticamente todas estão decididas aqui na minha cabeça. Só precisarei de coragem pra colocá-las todas em prática. Mas precisarei. Caso contrário posso amargar o resto da vida o sentimento de "E se..."
E eu odeio imaginar o que teria sido. Prefiro "O que foi que eu fiz...".

E o que eu fiz?


Não importa. Importa agora o que eu farei.

postado por: Eduardo de Paula Silva 11:02 AM
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Sexta-feira, Março 21, 2003

Notícias.

Fiquei sem postar ontem porque estava lá em Oskarshamn. Cidade litorânea, à beira do Mar Báltico. São trezentos quilômetros ao sul de Sodertälje. Fui apresentar um trabalho que fizemos no Brasil antes de eu vir. Não, não quero vangloriar-me de nada, mas fiquei muito satisfeito porque todos unanimemente disseram que nós, brasileiros tupiniquins e chinfrins, criamos a melhor solução em planejamento de produção em anos. Claro que eu já sabia que somos bons o suficiente no Brasil. Mas eu precisava ouvir isso de um sueco. Mas quem não lia o meu blogger no começo, essa foi uma espécie de vingança particular minha em relação a um comentário que eu ouvi logo que cheguei aqui. Que bom! Sei que com isso acabo dando um tiro no meu próprio pé porque pode haver a possibilidade de implementarmos um piloto lá em breve e isso pode fazer com que eu volte pra Suécia antes do que esperava.

Estou tentando voltar mais cedo pra casa. A idéia inicial é dia 02 de maio. Mas estou tentando acertar pra voltar na sexta feira santa. Seria uma espécie de presente de Páscoa pra mim. Apesar de estar tudo bem, as coisas caminhando de acordo, o projeto na medida do possível rumando por caminhos tranqüilos devo admitir que meu tempo acabou. Chega! Acho que como tudo na vida a Vida de Sueco vai chegando ao fim. Estou esperando a resposta do pessoal daqui pra saber se poderei mesmo ir embora no dia 17 de Abril. Pelo sim pelo não já vou começar a fazer as malas! E rezar também.

E com o final da minha temporada aqui o que será desse blogger? Certamente ele deixará de existir. No dia em que me despedir da Suécia me despedirei também do Vida de Sueco. Não sei se vou abrir um outro, com novo editorial. Mas independente disso vou sentir falta desse espaço aqui. Mas vou avisando sobre a minha volta pro Brasil e sobre o possível fim desse blogger.


Domingo é o dia da premiação do Oscar. E eu fico aqui pensando na ironia. Gente sendo aplaudida enquanto gente morre bombardeada. Li que o show deve continuar. Ok, concordo, mas é irônico demais um país deixar de fora um Cidade de Deus por causa da violência do filme e ao mesmo tempo matar milhares de inocentes sobre a premissa de uma suposta libertação.
Tenha a santa paciência Seu Bush mas acho que o senhor tá precisando aí de um óleo de peroba pra passar nessa sua tremenda cara de pau!

E as minhas previsões são :

Filme Chicago
Diretor Martin Scorsese (Gangues)
Ator Adrien Brody (O Pianista)
Atriz Nicole Kidman (As horas)
Ator Coadjuvante Ed Harris (As horas)
Atriz Coadjuvante Catherine Zeta Jones (Chicago)
Roteiro Original Pedro Almodovar, por Fale com Ela
Roteiro Adaptado David Hare, por As Horas
Filme Estrangeiro O Homem sem passado (Finlândia)
Fotografia Estrada para Perdicao
Direcao de Arte Gangues de Nova York
Cancao The hands that built America (Gangues)
Trilha Sonora As Horas
Longa de Animacao A Era do Gelo
Efeitos Visuais O Senhor dos Anéis - duas torres
Figurino Chicago
Maquiagem Frida
Montagem Chicago
Som O Senhor dos Anéis - duas torres
Edicao de Som Estrada para Perdição



Essas são as minhas previsões o que não significa que eu concorde com todas. Filme eu daria para As Horas. Ator para o Jack Nicholson. Atriz para a Julianne Moore. Diretor para o Stephen Daldry. Mas como no Oscar tudo é minuciosamente articulado em prol de uma futilidade, os prêmios devem estar mais ou menos distribuídos assim mesmo.
Segunda feira a gente fica sabendo o quanto eu tô entendido sobre o Oscar.

Ah...li no site epipoca sobre um concurso de roteiristas que vai acontecer com o apoio do Educine. O regulamento está todo no site http://www.cinematico.com.br . Acho que vou participar. Aliás estou com uma cena na cabeça a alguns dias. São duas seqüências se intercalando. Um jovem pousando depois de um longo vôo. Uma mulher cometendo suicídio. Vou desenvolver essa idéia então.


Caramba! Hoje falei demais. Só me resta mesmo despedir-me e unir-me ao coro dos que pedem pela PAZ. Que Deus esteja com todos nós. E por nós.

postado por: Eduardo de Paula Silva 1:08 PM
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Quarta-feira, Março 19, 2003

Estranho.


O Mundo está em guerra. Eu também.
O futuro é incerto.
A saudade é grande.
O desafio aqui também.
Muita coisa pra pensar ao mesmo tempo.
Muita gente pra convencer. Muita coisa pra mudar.
Doze mil quilômetros de distãncia.
Acho que o bonde tá andando rápido demais.
Tô enjoado. Quero descer.
Alguém sabe onde é a próxima parada?


Magnus (sueco), Mikael (sueco), Valia (grega), Cris, eu e Denise.
Carnaval 2003 no Bar Brasil.



Não combina com o post mas alegra o meu dia.
E eu tô mesmo cheio de contradições hoje. Desculpa!

postado por: Eduardo de Paula Silva 12:49 PM
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Terça-feira, Março 18, 2003


Caminhos e Escolhas. Ou seria o contrário?


Inspirado por um post lá da Marina, no Caipirinha Sueca e pelo comentário da Maria do Montanha Russa hoje eu decidi escrever sobre escolhas.
Na verdade iria falar sobre o amor. Mas acho que escolhas será melhor. Mais abrangente.


Um dia na vida de todos nós várias possibilidades se abrem. De repente, sem mais nem menos, nos vemos parados em uma encruzilhada. Vários caminhos pela frente. Apenas uma chance. Muitas dúvidas.
A grande maioria das vezes, pelo menos pra mim, as escolhas sempre são feitas usando a razão. É difícil eu sei. São poucos minutos pra decidir sobre seus próximos passos. Eu costumo usar a razão e um pouco da minha "sede" de arriscar. Adoro correr riscos. Adoro propor desafios pra mim mesmo. Adoro a adrenalina que corre nas veias quando a possibilidade de não dar certo empurra meu corpo pra frente. No dia em que recebi o convite pra me mudar pra Suécia, respondi rapidamente SIM. Acho que naquele dia, num momento raro, o meu coração deu a resposta antes do meu cérebro. Eu estava fugindo, lembra? Fugia de um passado. Fugiu de pessoas. Fugia da minha vida. Depois percebi que meu coração naquele dia tinha falado a mesma língua que meu cérebro estaria falando se eu tivesse lhe dado o devido tempo. Era preciso sair do Brasil. Era preciso abrir o portal. Mais do que necessário que o muro fosse quebrado de vez.
Eu vim. Escuro, frio, desiludido. Todos acompanharam os meus primeiros dias. Todos souberam da minha vontade de dizer Chega! Cansei da brincadeira! Mas não.Fui além. Venci meus próprios limites. Segui o caminho que escolhi lá no começo da forma como ele é. Não peguei atalhos. Não pulei a cerca. Simplesmente caminhei conforme a estrada ia fazendo suas curvas. Hoje eu tô enxergando uma faixa de chegada logo ali na frente. Acho que mais alguns quilômetros e alcançarei aquele lugar. Será o fim desse caminho. Mas não o fim da jornada. Sei que ali estará mais uma vez aquela encruzilhada de antes. Sei que será o momento de escolher de novo. Sei que a minha própria razão vai me guiar. Mas não vou esquecer mais de ouvir o que meu coração estiver gritando. Acho que funcionou melhor.

Vocês podem estar se perguntando agora : Que raios tem tudo isso a ver com o post da Marina ou com o comentário da Maria.
Explico.

Cada uma delas tomou uma decisão também. Como todo mundo elas também chegaram um dia na encruzilhada. Um dos caminhos porém apontou pra uma terra gelada, inóspita às vezes. O outro era o caminho confortável de viver a vida como nossos pais ou avós viveram. Era ponto de escolha onde o que impulsionava um dos caminhos era o coração. A possibilidade de amar alguém sem fronteiras. Decidiram. Saíram do Brasil e arriscaram tudo. Ou não, sei lá. Mas o fato é que vieram com mala e cuia atrás de um amor. Atrás do coração de cada uma delas. Não, é claro, que todas pensaram muito antes de vir eu suponho. Mas vieram. E estão aqui. Sentem saudades de casa. Choram por não estar nas festas da família. Passam o ano contando nos dedos os dias que faltam para o Natal e a possibilidade de um bilhete aéreo. Acho que nesses seis meses passei a admirar a força de cada uma delas. A coragem que cada uma teve ao olhar pra trás e acenar pra todo mundo que ficou em sinal de adeus. Eu acenei um dia. Mas era Até logo. Sei que o amor é capaz de mover fronteiras. Sei que o mundo fica menor quando o coração está cheio. Não sei bem ainda o que é isso. Talvez eu saiba sim, mas é melhor deixar assim mesmo, meio escondido. Talvez coragem e sede de Vida possam sim mudar a história. Senão a do mundo pelo menos a nossa própria.


Eu estou sim relacionando a minha escolha de aceitar o convite pra trabalhar aqui com a escolha dessas mulheres apaixonadas que vieram atrás de um sonho. Muitas se perderam no caminho (lembram da Michelle?). Muitas conseguiram ou estão tentando pelo menos. Pergunto-me sim sempre até que ponto vale a pena tudo isso? Até que ponto vale a pena abandonar carreira, família, país, amigos e seguir atrás de um amor. Eu não sei o que é isso. Não sei se vou sentir um dia. Preciso despertar essa capacidade de amar. Mas mais uma vez, admiro sim a escolha que elas fizeram.

Emocionei-me ao ler sobre a festa de casamento do primo da Marina porque sei o quanto é difícil ouvir de coisas que estão acontecendo lá e a impotência em conseguir participar. Na minha balança os pesos são diferentes. E por isso fiquei triste por pensar nela e no que passaria pela sua cabeça.

Mas sou mesmo um manteiguinha derretida como ela mesmo diz, e independente de descobrir esse tal amor que moveram seus corpos eu me impressiono com suas histórias.

Cada um tem a sua. Cada um tem seus momentos de encruzilhada. E cada um escolhe da forma que sabe ser a melhor.
Errei muito. Mas acertei em pelo menos algumas coisas.
Suécia me fez ver o mundo de outra forma. Blog me fez conhecer novas histórias.
E essas mulheres que conheci através dos posts me fizeram acreditar que ainda há espaço pra grandes aventuras. Que ainda é possível correr o mundo atrás de um sonho.
E principalmente...
Que o amor ainda pode ser um ótimo caminho.

postado por: Eduardo de Paula Silva 3:22 PM
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Segunda-feira, Março 17, 2003

Sobre o final de semana...


Foi especialmente "caseiro" mas ao mesmo tempo não parei em casa.

Sexta fomos até o Café Ópera. Pior lugar que já fui na vida. Pequeno, lotado, música chata, gente metida a besta! O lugar é muito bonito (cheio de trimiliques) mas caríssimo. Uma cerveja custava a bagatela de 51 coroas (uns seis dólares!). Foi bom conhecer. Mas só.


No sábado após batidas de perna em Estocolmo participamos de um jantar na casa do Peter (nosso amigo húngaro) que está aqui também desde outubro e agora no final do mês volta pra Hungria. Foi legal porque aprendemos um monte de história sobre esse país (que confesso, desconhecia totalmente) e pudemos comer um goulash original. É bom? É. É sim. Mas nada de tão especial assim. Uma grande sopa (apimentada) de legumes na verdade. Mas independente do prato a festa foi boa.



Domingo. Cinema. O Crime do Padre Amaro. Mediano. Sem graça. Capítulo de novela das oito da Globo é melhor às vezes. Vale pelo Gael Garcia Bernal, meu ator preferido atualmente. De qualquer forma essa tranqueira concorre ao Oscar de Filme estrangeiro. Deve até ganhar. Não merece. A noite terminou com pão de queiro e café preto. Quase um cantinho do Brasil. Quase o Franz Café após sessão de cinema. Por um tempinho me senti em Sampa com tudo que gosto de fazer! Mas só por um tempinho.


O tempo....

A situação do clima aqui anda de bem pra melhor. As 5:30h da matina de hoje o Sol já estava forte. A luz cegando meus olhos. Acordei cedo mas disposto. O sol faz isso com a gente. A temperatura não tá nenhuma dessas maravilhas. Mas chegamos a ter 14 graus no sábado. E por causa disso estou observando um outro fenômeno por aqui. A Vida volta à Suécia. As pessoas ficam felizes. Crianças jogam bola na quadra perto de casa. Hoje de manhã um som despertou a minha atenção pra esse mistério da vida: um pássaro cantava quando eu saia pra trabalhar. Lá na minha casa no Brasil eles sempre cantam. Aqui foi a primeira vez que ouvi. Sinal que a Dona Primavera tá pedindo passagem. Sinal que o vilão Inverno tá dando seus últimos suspiros antes do sono de seis meses. Sinal de que o tempo passou.

E quanto mais eu penso no que eu era antes de setembro e no que eu sou agora eu fico mais e mais impressionado. Ninguém vai notar a diferença exterior. Além de um pouco mais branco e talvez um pouco mais magro não aconteceu nenhuma mudança drástica no visual. Mas internamente tudo está diferente. Sei lá se vão perceber. Também não importa. O que eu sei que nunca mais serei o mesmo de oito meses atrás. O coração bateu forte. A Vida invadiu fronteiras que antes estavam fechadas. Agora o mundo é maior do que era. Não esse mundo, o do Brasil, Suécia. O mundo daqui de dentro. Esse que só eu e mais ninguém é capaz de entender. Um mundo que me desequilibra, que me estrutura, que disfarça e que conta a verdade. Um mundo indecifrável. Um mundo maravilhoso. O meu mundo.

postado por: Eduardo de Paula Silva 5:07 PM
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Sexta-feira, Março 14, 2003

Final de Semana!

Os dias estão voando né não? Pra quem não sabe a Suécia adora planejar tudo em semanas. É sempre assim. Semana 10 fulano chega. Semana 22 temos a reunião de sei lá o quê. Semana 44 vai rolar uma festa. E eu sempre perdido com essa forma "suecana" de planejar. Hoje mesmo na reunião de manhã me perguntaram em qual semana eu tô indo embora. Lá fui eu abrir a agenda pra descobrir que dia 02/05/2003 será semana 18. Por que será que não planejam em dias mesmo. É tão mais fácil! Mas ok, preciso entender os "portugueses" escandinavos! (Desculpa pessoal de Portugal, brincadeirinha!). Mas que esse povo aqui é meio limitado eles são sim!


Limitados e barbeiros. Nunca vi tanta bobagem no trânsito. È gente subindo na calçada, gente atropelando a guia, gente estacionando o carro mais torto que uma banana. Gente não sabendo se freia ou acelera. Gente que esquece da vida e joga o carro na sua frente! E o pior é saber do rigor que é o exame pra tirar a carteira aqui. Coisa mais esquisita. O jeito é dirigir com a atenção redobrada. Por mim e por todos os outros branquelos parentes do Barrichelo. (Xiii desculpem os fãs do nosso Rubinho, mas que o cara é braço isso ele é!)


Para esse final de semana não temos nada programado não. Hoje vai rolar uma balada num tal Café Ópera lá em Estocolmo. Acho que vai uma galera. Minha mãe sempre me diz que depois que eu vim pra Suécia virei um "perdido" nas noites daqui. É verdade. No Brasil eu sou muito mais caseiro. Quase não saio pra baladas à noite. Prefiro lugares mais tranqüilos. Mas aqui....ah...aqui tudo é diferente! E eu curto mesmo essas baladas. Oh gente bonita! Faz bem pros olhos pelo menos!
Amanhã será dia de Estocolmo o dia todo. Acho que já tem um mês que não vou lá de sábado. Tô com saudade. Se tem um lugar da Europa que eu gosto muito esse é Estocolmo. Não é tão turístico, as ruas são limpas, o povo bonito, gente do bem. Comparado a outros lugares que conheço Estocolmo por ser pouco visitado é sim uma cidade especial! Quem vier pra Europa e tiver a oportunidade venha até aqui. Vale a pena.

Outra coisa que tô decidindo é sobre a Páscoa. Acho que vou mesmo pra Espanha. Amanhã vou ver se acho um pacote legal! Não decidi ainda. Madri ou Barcelona. Dá uma dica aí vai?!

A Samantha (do No Freezer) em parceria com a minha sempre querida Luciana (do Colagem e Mundo Pequeno) criaram um selo-convite para um encontro de blogueiros europeus. Veja só que coisa mais chique. Estão decidindo o lugar. Pensaram em Bruxelas, lá na Bélgica. Eu votaria claro por Estocolmo. Mas como o encontro vai ocorrer no verão daqui eu já estarei no Brasil. De qualquer forma tô divulgando aqui e incluindo a Samantha e o seu blogger na minha listinha ali do lado.






E é isso. Com bastante energia pra gastar me despeço de vocês. Bom final de semana, juízo aí na cabeça e todo mundo partindo pro arrebento! Segunda-feira estamos aí!

Até!

postado por: Eduardo de Paula Silva 5:30 PM
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Quinta-feira, Março 13, 2003



Que venham os sapos!

Alguém viu Magnólia, do Paul Thomas Anderson?
Senão, é o seguinte. O filme gira em torno de vários personagens ligados entre si por uma rua de nome Magnólia. Todos os personagens estão passando por crises profundas em suas vidas. O filho que não consegue perdoar o pai na hora da morte. A filha drogada que revela à família os assédios que o pai, um importante comunicador, fizera no passado. O policial politicamente correto em busca de um amor e se descobre apaixonado pela drogada. O homossexual que precisa reformar os dentes pra poder se declarar a um barman. O menino prodígio que é pressionado pelo pai a responder todas as questões corretas num programa de televisão apresentado pelo pai tarado da drogada. A mulher arrependida de ter se casado por interesse e que revê todo o seu passado quando o marido está à beira da morte (o que tem o filho que não o perdoa). Um enfermeiro cuidando do moribundo.
Ou seja, o filme é um cruzamento de várias histórias densas de arrependimento, frustrações, perdão e morte e que leva quem assiste a ficar totalmente sobrecarregado nas suas primeiras duas horas de exibição. A partir desse ponto, todos os personagens, todos, sem exceção, começam a cantar uma música, "Wise Up", e uma grande chuva de sapos começa a cair do céu. Não, ninguém entendeu o que significa aquela chuva. Mas pra mim só pode ter um significado. Quando tudo está terrivelmente ruim uma grande chuva de sapos irá mudar nossas vidas. Um acontecimento inesperado. Aquilo que faz com que o barco mude de rumo. A tempestade deixa lugar ao sol. A vida volta a valer a pena. E o mundo deixa de ser cinzento e frio.
A Vida de Sueco está mais ou menos inserida nesse contexto. Uma grande chuva de sapos caiu por aqui. Eu passei sim por um longo período negro, onde a saudade, a frustração, o medo de decepcionar, a falta de sol, o frio criaram em torno de mim um muro de gelo. Secaram as minhas esperanças.Transformaram os meus dias em longos e tenebrosos dias de solidão.
Agora, depois da chuva de sapos, aqui nesse roteiro representada pela volta do Sol, tudo está diferente. Eu estou diferente também. As soluções foram encontradas para aqueles desafios que eu não tinha certeza encontrar. A alegria voltou pro meu rosto. A saudade continua, claro. Mas o futuro já não é mais um buraco negro onde o medo é maior do que a felicidade. Não, não é. Agora sim eu vejo a luz brilhando lá longe. Tô no caminho certo.

É por isso que eu gosto tanto desse filme. Ele é sim um retrato da nossa vida. E faz-me muito bem saber que assim como no filme, a vida sempre vai oferecer uma solução à altura dos nossos desejos. E é isso que eu espero que aconteça pra todo mundo que lê o que eu escrevo. Uma grande chuva de sapos pra vocês que estão precisando dela. Se não acontecer hoje, amanhã com certeza.


Observações

Minha mala está de volta ao lar. Ontem a companhia aérea me entregou. Intacta. Com tudinho dentro. Ufa!

Hoje foi o primeiro dia de aula de inglês da minha sobrinha Kauane. Estou fazendo pensamento positivo pra que ela tenha gostado da escola, da professora e desse novo desafio. Ela está estudando na mesma escola que estudei quando tinha a idade dela. Kau, quando você puder escreva pra me contar como foi. A sua vó me disse que você já ta craque na Internet. Tô orgulhoso dela.

Fui aplaudido em pé hoje após a apresentação de um sistema que desenvolvi no Brasil. Por conta disso estarei viajando de novo na próxima semana. Mas aqui mesmo na Suécia. Vou pra Oskarshamn ao sul do país pra mostrar o Miracle (nome do sistema!) pra eles.

O pessoal enjoou do meu site. Ninguém comenta mais nada! Oh tristeza...

Vou jogar boliche hoje. Pra quem lia meu diário no começo sabe que boliche é passatempo obrigatório por aqui. E vamos promover uma integração com todo mundo que chegou por esses dias. Quem tiver a fim é só seguir o caminho do heron city. Estaremos lá!

Vamos?

postado por: Eduardo de Paula Silva 2:20 PM
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Quarta-feira, Março 12, 2003

Saga da mala e uma depressão alheia.

Estou saindo daqui a pouco pra ver se recupero a minha mala que se perdeu lá no aeroporto de Londres. De acordo com a menina da cia aérea ela estará no aeroporto aqui de Estocolmo. Vou lá pra ver se consigo de volta.

Estou um pouco triste com a notícia que recebi ontem de uma grande amiga aí do Brasil. Ela está deprimida. Nível II, tomando remédio tarja preta. Fiquei pensando muito nela e tudo que a gente fez das nossas vidas. Dez anos que eu a conheço. Namoramos por um longo período. Ela escolheu algumas coisas. Eu fiz outras escolhas. Cada um de nós seguiu um caminho. Agora percebo que ela talvez possa se arrepender. A vida que escolheu está tragando seus dias. As escolhas se não foram as mais acertadas foram talvez definitivas. Eu fico triste. Ela é uma pessoa que eu gosto muito e gostaria que ficasse feliz. Nunca entendi direito o mecanismo da depressão. Mas imagino que deve ser realmente complicado olhar-se no espelho e não saber o que se está olhando. Acho que sempre na vida da gente é tempo de recomeçar. Vou torcer por ela. Do fundo do meu coração.

Amanhã tô de volta. Vi mais um filme ontem. Catch me if you can, do Spielberg. Muito bom. Resenhas em breve!

Hej då.

postado por: Eduardo de Paula Silva 11:34 AM
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Terça-feira, Março 11, 2003

Mudaram as estacões...

Da janela do meu escritório não vejo mais aquele monte de neve que insistia em permanecer pintando a paisagem de branco.
A temperatura super positiva desses últimos dias aqui (hoje estava quase dez graus de manhã) está deixando pra trás o clima de inverno e trazendo com ela uma sensação boa de primavera. Ainda não vejo flores. Nem borboletas. Acho que esses símbolos estão ainda em algum vôo proveniente do paraíso e devem chegar logo logo. Enquanto isso eu fico na espera. E cada vez mais feliz por sentir que a vida começa a voltar aqui pelos lados da Escandinávia. Que bom! E estou orgulhoso de mim também. Sobrevivi ao mais rigoroso (talvez o único) inverno da minha vida. Não vou esquecer dele não. Aliás não vou esquecer de nada. Nem de ninguém.


Uma peça no quebra cabeça...

A minha viagem por Angers foi boa pra caramba. Não pelo lugar em si, que apesar de lindo eu já conhecia. Mas sim porque o ar francês e o iluminismo de sua história fizeram com que finalmente eu chegasse a uma solução para o grande quebra cabeças que tinham me dado quando eu saí do Brasil. Pronto! Agora já tenho a figura todinha aparecendo no tabuleiro. Será que é o que os meus amigos brasileiros queriam ver? Espero que sim. Eu até gostei do resultado. E gostei muito de ser desafiado dessa maneira tão provocativa e ter encontrado uma solução satisfatória. Sinto-me aliviado.


Um time que só faz crescer...

O time de brasileiros aqui na Suécia cresce dia a dia. Impressionante. Quando cheguei em Setembro éramos : Paulo, Sérgio, Marcelo Campos e Gabriel além das famílias expatriadas do Luiz, Marcelo, Fábio, Renato, outro Marcelo Almeida e Daniel.
O Sérgio, Paulo e Marcelo se foram. Vieram Denise, Luciana, Marcos, Alexandre, Hélio em substituição.
Agora o Paulo, aquele que estava aqui no começo está voltando pra mais um tempinho. Além disso as famílias expatriadas também ganharam reforços : Marcelo G., Carlão e Higa chegam também agora.
Ou seja, já somos um grupo enorme, pelo menos quinze. Em breve eu acho vão mudar a embaixada do Brasil pra cá. Ou então mudam o nome da nossa cidade. De Sodertälje passará a ser qualquer outra coisa. Sei lá, alguma coisa como Brasilienstad (cidade do Brasil).


Um pouco de Paris...

Agora serei apedrejado. Colocado em praça pública e queimado vivo.
Eu não gosto de Paris. Acho tudo meio sujo. Gente esquisita. Metrôs que me dão um pouco de medo. Gente metida e mal educada.
A única coisa boa dessa vez foi que pude reencontrar meu amigo cinéfilo. E foram horas e horas de conversa sobre todos os filmes que vimos desde que nos entendemos por gente.
De Japão a Estados Unidos, passando pela cinematografia Iraniana, chinesa, francesa, italiana. Discutimos de tudo. E acabei vendo três filmes nessa curta temporada por lá. O Pianista, que vou fazer uma resenha em breve, Solaris (o novo, do Soderbergh) e um filme alternativo pra caramaba, antigo, chamado Poison (do Todd Haynes, esse do "Far from Heaven").

Com isso, leitores, podem começar a me jogar as pedras que acharem que eu mereço mas não visitei todas aqueles pontos turísticos de Paris (não dessa vez, mesmo porque já tinha ido outras vezes), só mesmo estive na Sacre Couer (em Montmartre) e só. O resto foi sim um grande bate papo de cinéfilos.


E o resto...

... de mim está aqui. Pronto pra encarar mais um mês e meio de solidão familiar. Cada vez que falo com a minha mãe pelo telefone sinto vontade de entrar pelos buraquinhos do fone e cair lá, na sala de casa, no colo dela. Ontem falamos por mais de meia hora. E eu tinha acabado de chegar da SCANIA quando liguei. Senti como se estivesse no Brasil. Comendo pão com requeijão enquanto sentia o cheiro do feijão cozinhando.
Não tinha feijão. Não tinha requeijão. Tinha somente a voz da minha mãe lá longe. Bem longe. Mas de tanta saudade estava perto.
Tão longe tão perto.
Como diz minha sobrinha Nairinha.

" Aquele cara de banana (eu) não vai voltar mais não?"

Boa pergunta.
Eu volto sim. Espera só mais um pouquinho.

postado por: Eduardo de Paula Silva 3:24 PM
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Segunda-feira, Março 10, 2003



Tilt Cerebral


Hoje só quero chegar logo em casa, fazer uma janta especial pra mim e me deliciar. Eu comigo mesmo. Cansaço, stress, dor de cabeça, fome, vontade de ficar sozinho.
Acho que tô mesmo ficando velho. Não agüento mais essa vida de mochileiro-sem-mochila errante!

Confesso pra vocês que eu tava com um puta medo lá na Inglaterra. Medo dessa guerra ridícula. Medo de um atentado em algum metrô da cidade. Medo de perder a chance de voltar pra casa bem. Medo de uma coisa que sempre foi algo muito distante. Medo do medo que eu tava sentindo!

Prometo que amanhã escrevo mais. Hoje não tenho condição! O cérebro tá pedindo arrego. E o corpo também.

Até mais ver...

postado por: Eduardo de Paula Silva 5:16 PM
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Domingo, Março 09, 2003



Diretamente da Trafalgar Square...

Exatamente desse ponto da cidade eh que to escrevendo (ali embaixo do painel da SAMSUNG dentro do Burger King).
To esperando pra assistir "The hours", o ultimo filme que falta pra completar a lista de indicados ao Oscar desse ano.
Lá em Paris eu vi "O Pianista". Vou deixar pra fazer todas as resenhas quando chegar na Suecia.

Londres eh uma cidade das mais caras que eu jah visitei. Pra se ter algumas ideias...

Alguns preços praticados aqui.
Um Pound (£) vale quase seis reais (R$).


Entrada para o museu Madame Tussaud (aquele com as figuras de cera) : 17,50 £

Quarto naquela espelunca de albergue : 17 £

Jantar numa churrascaria brasileira : 25 £

Bilhete de metro (weekend) : 6.50 £

Entrada para o cinema (com carteirinha de estudante!) : 7,50 £

Numero 1 do Mc Donalds : 4 £


Isso quer dizer que deve-se tomar muito cuidado com o bolso por aqui. E eu ,num ataque momentaneo de prudencia, acabei passando o final de semana todo sem gastar absolutamente em nada de extravagante. Nao levo nenhuma coisinha de Londres. Soh minhas fotografias e as imagens gravadas na minha mente.

Uma outra coisa bastante interessante aqui tambem é a quantidade de brasileiros perdidos por aqui. Gente que veio atras de aprendizado. Falar ingles. Muitos com sorte conseguiram se fixar. Gostam muito de Londres.
Muitos quebraram a cara. Viram seus sonhos todos transformados em uma cinzenta realidade estrangeira.

Conheci um cara no albergue onde estamos, o Alex, um gaucho tipico, cheio dos tri legal, tri bom, tri dificil. O cara também é tri. Tri corajoso. Deixou a namorada gravida no Brasil e esta aqui atras de um emprego. Não fala ingles muito bem. Não conhece ninguém aqui. Não sabe onde ficar. Mas continua firme. Tem esperança que vai conseguir alguma coisa na proxima esquina. Eu vou torcer por ele.

Hoje vimos a troca da guarda lah no palacio de Buckingham. Formal ao extremo. Anyway, interessante.

Então vou deixar voces por aqui. Vou navegar um pouco enquanto o filme não comeca.
Amanhã estou de volta a Suecia e conto mais coisas sobre a turne pelo circuito Paris - Londres dessa semana!

Uma boa semana pra todo mundo...

See you!

PS. O texto ficou meio com acento meio sem porque o que fui lembrando de codigo ASCII eu fui usando... (na medida da minha paciencia...e que cah entre nos ta NULA! Mais um pouco e eu vou socar a cara de uma certa pessoa...Decepcao. Viajar junto faz mesmo a gente conhecer melhor as pessoas...)


Editado as 20:39 - horario de Londres.



Passei soh pra deixar um comentario sobre The Hours.

M A G I S T R A L !

Não percam de maneira nenhuma!

postado por: Eduardo de Paula Silva 6:03 PM
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OK.

As coisas melhoraram um pouco. Fiquei sabendo que minha mala esta no aeroporto. Vou pegar na volta. Isso quer dizer que eu fiquei todo o tempo (e ficarei ainda amanha) sem trocar de roupa. Sinto-me o mais porco dos homens. To com nojo de mim mesmo. Mas, ok.
Tivemos um outro problema aqui. Fomos roubados no quarto do albergue. Nao necessariamente eu mas minha amiga. Acabou perdendo pouco mais de cem dolares. A sensacao eh de frustracao total. Nunca esperavamos que o locker fosse sumariamente arrombado.

Por essas e por outras estou com saudade da minha paz sueca.

Londres eh interessante. Tem muita coisa pra fazer, gente de todo o mundo.
Rodamos os principais pontos hoje. Picadilly, Trafalgar, Big Ben, London Bridge, London Tower, Madame Trussaut (muito legal!). Ate numa churrascaria rodizio agente acabou indo!
Ta valendo a pena (apesar de todos os percalcos!).
Sempre eh bom conhecer novos lugares, abrir os horizontes.

E eh isso que estou fazendo. Dia apos dia novos caminhos se abrem. Mas todos me levam sempre ao mesmo lugar. Sao Paulo, Sao Bernardo do Campo, Brasil.
Meu lugar. Minha gente. Minha vida.

Saudade sem fim!

postado por: Eduardo de Paula Silva 1:27 AM
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Sábado, Março 08, 2003



Sem lenço , sem documento.


Enfim consegui descobrir um lugar com internet. Ufa!
Agora estou em Londres. Eu estou, minha mala nao.
Ela sumiu. Esta perdida em algum lugar desse mundo.
E eu...

To muito puto da vida.
Inclusive odiando isso aqui.
Coisas da Vida.


Desculpe a falta de acento nesse post. Essa merda desse teclado nao aceita! Help!

postado por: Eduardo de Paula Silva 3:24 AM
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Segunda-feira, Março 03, 2003

Acontecimentos do Final de semana. E quanta coisa...

Encontro à brasileira.


Vocês leram esses dias o comentário deixado pela Cris, mais uma brasileira perdida aqui na Suécia, sobre um happy hour em um pub lá de Estocolmo.Sexta feira, trabalho encerrado, lá fomos nós (Gabriel, Denise e eu) pra esse tal encontro. O bar lotado. Som alto. Qual daqueles grupos seria o grupo de brasileiros. Não mais do que dois minutos e nosso radar brazucão já identificava a galera. Estavam lá. Eram eles com certeza. Se me perguntarem o porquê da identificação eu não sei. Acho que é coisa de sangue mesmo. Um sangue verde e amarelo nesse caso.
A galera é massa (como diria o Gabriel). E tinha gente que trabalha na mesma empresa do que eu (Karen, gaúcha, sotaque gostoso), gente que tá indo embora depois de dois anos aqui (Karina, carioca messssssssmo) e que me deu a dica sobre a Páscoa e a noite de Madri, gente que veio acompanhar a namorada, ela foi embora e ele ficou (Daniel, carioca também), gente grega mas com alma brasileira que morou no Rio e samba feito mulata globeleza (só que não consigo lembrar do nome...acho que talvez por ser um nome grego, ou por eu ser displicente mesmo).
E gente anfitriã, gente que veio atrás do coração, gente com sotaque gossstoso, menina linda, Cris, a que me achou aqui. Mais uma amiga que nasce pelos bits e bytes dessa rede gigante!


Enfim, uma sexta feira de gente inesquecível. Uma sexta feira pra colocar aqui nas anotações e recordações do tempo de sueco.

Ah...por conta disso, deixamos de ir ao bar de gelo. Mas iremos. E conto tudo depois. Podem esperar!

Sérios candidatos ao Oscar


Sábado, 13:30h. Fui ver Chicaco. Filme porrada. Grande musical. Um dos melhores que eu vi. O desempenho de todo o elenco é memorável (exceção feita a Richard Gere, meio canastrão). Nunca vi uma atriz tão esforçada e talentosa em seu papel como a Caterina Zeta Jones. A sua força na tela é avassaladora. Sua personagem rouba as cenas da principal (Renee). O filme gira em torno de presidiárias em busca da liberdade. E também em busca do sucesso, fama, notoriedade. Richard Gere é o advogado que vai tirar as mulheres da cadeia. Caterina e Renee se conhecem na prisão. Ou antes, nos cabarés da vida de Chicago.
O filme merece cada uma das indicações que recebeu no Oscar. Eu ainda preciso assistir alguns outros filmes, mas por enquanto, dos que vi (Gangues e Senhor dos Anéis) esse é o melhor. E se Zeta Jones não levar a estatueta de atriz vou ficar muito triste. Não pelo Oscar em si, porque todos sabem o que penso sobre, mas sim por não vê-la, linda, subir ao palco pra receber o prêmio.

Domingo, 22:00h. DVD de A Era do Gelo. Para um domingo à noite nada melhor. Bolo Princesa (aquele suecada com aquela cobertura de marzipã verde), pão de queijo, café coado na hora, chá, torrada, e uma turma de amigos. Que delícia de filme. E que delícia de chá da tarde. O filme é maravilhoso como eu já sabia (minhas sobrinhas são as maiores tietes do filme). Mas é sim sensacional. Um grande desenho desde O Rei Leão. Gostei muito. Valeu a pena. Foram momentos divertidos e emocionantes. Está indicado ao prêmio de animação. Concorre com outros grandes títulos (Chihiro, Spirit, Lilo e Stitch) mas deve sair-se vencedor na noite do dia 23. E de quebra temos brasileiro como co-diretor. Carlos Saldanha. Vai lá camarada, representa nossa pátria de chuteiras aí! Por favor.


Quem não gosta de samba...

Estocolmo. Sábado, 23:00h. Uma escola de samba invade o Muchen Bryggeriet. Estavam lá, passistas, bateria, alegorias de mão, alegria e samba no pé (dos outros, claro!)
Impressionante como o Brasil conseguiu se limitar a um espaço onde umas mil pessoas se acotovelavam pra acompanhar o Xavier da Vai-Vai cantando grandes sambas do passado ou Simone Moreno quebrando tudo com sua musicalidade baiana.

Ó xente bichinho...era muito da hora ver a gurizada sueca currrrtindo o som brasileiro, pagando pau pra gente, olhando pra nossa cara e ficando de boca aberta porque sabíamos todas as letras, de cor, na ponta da língua.
Nunca me imaginei pulando feito um louco ao som de Timbalada. Como será que meu cérebro era capaz de processar tanto samba enredo de anos anteriores? Como será que mesmo sem ser mangueirense eu sabia cantar o "Sou Cabra da peste....sou Mangueira" ? Acho que tudo tem a ver com saudade. Ou com alegria. Ou com os dois. Saudade da alegria do meu povo!
Mais uma vez a Cris, o Gabriel, Denise, Helena (a que participou do dia da scooter), os suecos abrasileirados (Magnus 1, Mikael, Magnus 2), a grega quase brasileira, e todo mundo ali foi testemunha da cuíca e do pandeiro trazendo calor pro salão.
Lá fora, os menos cinco graus de sempre. Ali dentro, um calor gostoso. Um calor de um páis presente na camisa, na ginga e no sorriso.


De mochilão....

.... eu me despeço aqui de vocês. Tô indo nessa. Essa semana toda estarei fora. França até sexta feira. Primeiro, Angers (Vale do Loire) depois Paris, curtição. Por último Londres. Final de semana que promete muito.
Se eu encontrar algum lugar decente eu posto alguma coisa aqui durante esses dias. Se não tá decretado feriado carnavalesco aqui no Vida de Sueco.

Paz aí galera. A gente se vê.

postado por: Eduardo de Paula Silva 10:47 AM
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