Vida de um Brazuca
Como é a vida de um brasileirinho que depois de sete meses no frio sueco está voltando pra casa!

Segunda-feira, Abril 28, 2003

Mundança Radical.

Sete meses de sossego. Passar a madrugada em claro só mesmo quando a balada era boa!
Nada de pressão , nem aborts rolando!

Uma semana de regresso. Posso dizer de amargo regresso. Sábado todo o dia trabalhando.
Domingo dia e noite aqui. Vida de um Brazuca pressionado!


Quero dormir. Quero sair. Quero ver gente. Quero aproveitar o Sol do meu país.
Porque não escolhi ser palhaço de circo heim?! O picadeiro seria pelo menos mais colorido!

Pera aí. Tô indo ali olhar um log e já volto.

postado por: Eduardo de Paula Silva 6:38 AM
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Quarta-feira, Abril 23, 2003

Quem é vivo...

A rotina brasileira começa a voltar. E com ela o corre corre que eu tanto sentia falta.
Por isso desculpe a ausência. Prometo aparecer com um pouco mais de frequência. Aliás vou tentar encontrar um tempo pra criar um template novo e mudar o endereço desse site aqui. O Vida de um Brazuca vai ganhar um endereço próprio. O eduardonasuecia ficará como boas lembranças daquilo que foi minha vida de sueco!

Decisões foram tomadas aqui. Segunda começo no meu novo desafio profissional.
Encontros aconteceram. E eu tô feliz com ele. E hoje tem mais. Lembram do post lá do pessoal da ETE? Encontro todo mundo hoje.

E pra terminar aqui deixo esse texto que veio muito a calhar com tudo que aconteceu aqui nesse primeiros dias!
E pra quem me mandou... amo você!

Até.

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistema ao tempo e ao depois.
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades, quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tenha afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação e entendimento. Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.

Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para ser amado, não para eles próprios.
Sentir com, é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes, e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas, quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo da separação.
Porque o tempo e a separação, nunca existiram...
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoar pudesse e possa ver, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

(Arthur Távola)

postado por: Eduardo de Paula Silva 8:49 PM
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Sábado, Abril 19, 2003

Em casa!

Fala galera! Escrevo direto de casa.
Foram quatorze horas de vôo (KLM sem dúvida melhor companhia aérea que eu já voei na vida!) e assim que coloquei o carro na marginal Tietê uma grande festa de recepção : manifestantes estavam queimando pneus e pararam literalmente a cidade. Cinco horas parados no trânsito esperando que os policiais resolvessem o problema.
Fui chegar em casa já passavam das onze da noite daqui!

Ainda tô meio estranho. Parece que estou chegando em um lugar desconhecido. As pessoas me parecem estranhas. Hoje no mercado ao esbarrar numa senhora fui logo dizendo "Sorry!". A dona ficou olhando pra minha cara. Repeti "Desculpa eu quis dizer" e saí. É ainda preciso me reacostumar a algumas coisas mesmo. Noticiários da televisão agora só falam de um tal Batoré, bandido perigoso que está fugido da cadeia.

Além disso Carandiru do Babenco faz o maior sucesso da história do cinema nacional. Eu vou ver na segunda. Hoje vou sair de rolê por Sampa eu acho. Rever alguns lugares e pessoas que eu adoro!

É...apesar de tudo eu tô muito feliz de estar de volta. Tô começando a resgatar minha vida de volta! E a sensação é boa pra caramba! Podem apostar!

Até.

postado por: Eduardo de Paula Silva 10:32 PM
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Quarta-feira, Abril 16, 2003

Um dia, um adeus.

Mais de 190 dias. Duas estações do ano. Frio. Angústia. Vontade de gritar pra todo mundo que eu não era forte o bastante pra resistir seis meses. Menino dentro de mim querendo sair, querendo pedir o colo da mãe, querendo a proteção do lar. Mas a fé na minha própria capacidade de agüentar era mais forte. Os dias foram passando. Um após o outro. Um dia de neve, outro de chuva, um solzinho morno. Todos eles tombaram-se diante do tempo. E deixaram pra trás grandes lembranças.

Lembranças que marcarão a minha vida pra sempre. Coisas que eu vivi. Coisas que eu senti.
Dias de trovão, com o peito por explodir de tristeza. Dias de Sol forte, com o sorriso estampado num rosto congelado e cheio de orgulho. Dias de nuvens grossas onde a solidão era oferecida acompanhada de uma porção de batata frita.

Obstinação era a roda motora. Conforme os dias passavam, mais uma concha ficava cheia da água da vida e mais forte ela girava. No final, com a velocidade ideal a vida rodou sua roda. Em cada concha agora está repousada uma história. Pessoas ficaram em algumas dessas voltas. Algumas subiram. Outras ainda continuam indecisas entre girar pelo mundo ou permanecer paradas no porto seguro.

Eu fui além. Rodei a roda da minha vida com toda a garra. Agarrei o meu desejo inconstante de fugir e dele fiz meu combustível. Gritei. Chorei. Sorri. Pulei. Ameacei a mim mesmo quando percebi estar debilitando-me.

- Você é forte, porra! Agüenta essa parada porque vai ser bom pra você! Vai guri. Com fé você chega logo no fim!

E segui. Uma estrada longa ficou pra trás agora. Memórias boas. Uma chance em um milhão me foi dada. Quantas pessoas não gostariam de estar no meu lugar? Sim, são muitas. Mas por mais que isso fosse dito não foi fácil. Achei por alguns dias que tinha feito a escolha errada. Lá, naquele dia que eu tive a chance de seguir por dois atalhos eu escolhi o cheio de espinhos. É, arrependi-me por um instante de ter me lançado ao mundo. Mas arrependimento é sentimento natural pra um jovem inseguro. Na mesma velocidade me arrependi de ter ficado arrependido. Assim, num piscar de olhos o escuro ficava claro de novo. E mais um dia nascia na gélida e distante Suécia. Era preciso ser forte por mais um dia.

Agora escrevo pela última vez aqui da Suécia. Esse é meu último post de uma Vida de Sueco. Está ficando pra trás uma etapa da minha vida. Essa vida agora se encontra gravada no álbum de retratos da minha juventude. O ciclo está fechando. É uma nova etapa que se inicia.

Mas não posso olhar pra frente agora sem antes dar uma última piscada praquilo que está ficando pra trás. E estou fazendo isso.

Desse túnel chamado Suécia eu vejo momentos sublimes. Vejo pessoas encantadoras. Difíceis e pesadas decisões. Ouço músicas. Vejo luzes e sinais. Sou capaz de ouvir soluços e gargalhadas.
Mas era apenas um túnel nessa longa estrada. E essa agora está continuando e me levando de volta à minha terra. Não há melhor lugar no mundo do que a casa da gente. A cama, o cheiro do café fresquinho, o bate papo de cozinha com a mãe, com o pai, com os irmãos.


"No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar
Até sumir"


Tô chegando perto desse dia. Um avião está começando a se espelhar aqui nos meus olhos. Em pouco tempo levanta um vôo final. Vai além daquilo que ele mesmo imagina. Além de um vôo corriqueiro é também um lançamento incomum. Carrega em suas poltronas um sonhador que a vida tinha transformado em um duro e impiedoso coração de pedra. E que o frio, a neve, a escuridão e a solidão fizeram por derreter!

Estou indo agora. Escrevo quando tiver em casa. Escreverei quando minha alma tiver disposta a voltar aqui e derramar palavras. Por enquanto é sim um Adeus.
Foi com enorme prazer que estive aqui todos esses dias. Foi com muita fé no ser humano que eu publiquei textos melancólicos. Foi com sorriso que recebi todos vocês.

E agora chega a hora de ir. E o que eu gostaria era poder olhar cada um nos olhos, trazer você pra dentro de você mesmo e junto comigo pedir por mais paz no mundo.
Que esse meu adeus seja regado de muita fé e vontade de que amanhã seja melhor do que hoje.Se acreditarmos nisso tenho certeza teremos a força necessária pra mudar o mundo.
O meu está mudado agora. Graças a Deus!

Pra quem fica deixo aqui o meu sincero voto de boa sorte. Que cada um encontre suas respostas. Sucesso na vida.Sorte! E tenho certeza que cada um sabe que independente do país em que se está morando o calor é suficiente no Brasil pra recolher todos vocês de volta! Sejam felizes. É só o que eu espero. E é pelo que rezarei.

Suécia. Um abraço, minha velha! Foi tranqüilo. Valeu pela vida. Agora tô indo lá praquele seu irmãozinho grandão. Um irmão às vezes cruel, mas um brother de coração maior do que todos. Um país cheio de contrastes, cheio de problemas, mas o meu país. A Pátria Minha.

(...)

É...já tô sentindo o cheiro de café, o pão quentinho, a toalha macia. Ouço o apito.É o trem que vai partir. E eu tô embarcando nele. Quem sabe a gente se encontra de novo! A vida é assim mesmo, cheia de coincidências e encontros. Poderemos estar no mesmo vagão, ali, na próxima estação.
E que venham as estações agora! Todas. Sem parar.

Adeus gente. Fiquem com Deus!

Eduardo de Paula Silva
Um rapaz latino americano, sonhador, maluco, de mala nas costas, uma saudade enorme de tudo e com algumas lágrimas escorrendo pelo rosto.

postado por: Eduardo de Paula Silva 9:11 AM
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Terça-feira, Abril 15, 2003



Tá faltando espaço...

Sete meses pra se colocar dentro de duas malas...
É difícil demais!!!
Lá estou eu, coisas pra fora, malas cheias. O que fazer quando sua vida precisa estar resumida em duas sacolas gigantes?
Não sei ainda. Vou lá tentar descobrir e amanhã volto aqui para o post derradeiro!

Hej då.

postado por: Eduardo de Paula Silva 11:17 AM
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Segunda-feira, Abril 14, 2003

E lá se foi meu último final de semana na Sweden!

E a tônica desse foi cinema, só pra variar.
Ando naquela situação pé aqui outro lá. Sim, são quilômetros e quilômetros de distância mas meu coração já tá um pouco no Brasil sim.
E por isso não fiquei a fim de balada esse final de semana. O máximo mesmo foi assistir a dois filmes no cinema.


Na sexta, The life of David Gale, um filmão, bem estilo todo-mundo-vai-gostar mas que é mesmo bastante empolgante. Conta a história de David Galé um ativista e professor de filosofia que luta contra à pena de morte nos EUA. Por ironia do destino é ele dessa vez que está no corredor da morte à espera da injeção letal. É mistura de drama com thriler, e muito bom, cheio de reviravoltas e surpresas. Tá, tem sim uns pontos falhos no roteiro, mas nessa altura do campeonato, me fiz de bobo e achei tudo muito legal! Recomendo.


Sábado fui ver o Punch Drunk Love (que no Brasil vai chamar Embriagado de Amor). É o mais novo filme do Paul Thomas Anderson (gênio de Magnólia). E não posso deixar de expressar minha decepção com ele. Nesse novo filme ele envereda por uma comédia romântica (um pouco estranha é verdade!) e que coloca o Adan Sandler em um papel cômico mas profundo. Ele é um empresário em crise que coleciona embalagens de pudim à fim de ganhar uma passagem aérea em um desses planos de milhagem. Em meio a isso conhece uma mulher por quem se apaixona. Antes porém de viver seu amor precisa se livrar de uma enrascada que se meteu por causa de uma chamada a um tele-sexo. Tudo faz sentido no final!
O filme ganhou direção em Cannes, teve ótima repercussão na crítica mundial, mas pra mim, esse chinfrim crítico-frustrado-de-cinema, eu esperava mais! O jeito vai ser esperar pelo próximo trabalho dele.




O final de semana terminou com a final do campeonato de buraco. Sim senhores! Quem não tem mais nada o que fazer entra num campeonato de buraco. Sim, aquele jogo de cartas cheio de canastras e mortos. E surpreendentemente sagramo-nos (era de dupla!) campeões do ano. Com medalha no peito o jeito foi voltar pra casa e esperar o sono chegar.

E aliás, falando em sono, foi difícil. Custei pra conseguir me entregar direito nos braços do amigão Morfeu. Fiquei lá, de um lado pro outro, olhando pro teto e pensando com meus botões. Adoraria ter um chave liga-desliga nesses momentos.

Antes de me despedir preciso deixar uma mensagem pra duas pessoas muito especiais.
É, eu tô com saudade de muita gente no Brasil, mas duas não me saem do pensamento nem por um segundo. Kau e Nairinha. Elas estão sempre deixando mensagens aqui pra mim. São minhas duas lindas sobrinhas (oito e três anos) e que serão as primeiras pessoas a me encontrarem na minha chegada. Tô com muita saudade delas. E daqui a três dias poderei abraça-las, enchê-las de beijos e voltar a fazer parte do dia a dia dessas duas princesinhas que Deus jogou lá em casa!

Até amanhã então, quando será meu penúltimo post ainda aqui da Suécia. O blog já mudou de nome mas não ainda de layout. Vou providenciar uma reformulação dele quando tiver mais tempo e paciência!
Aliás, preciso dizer que me emocionei com todas as mensagens de carinho do post anterior! Não sabia que aqui eu poderia encontrar tanta gente que de verdade eu aprendi a gostar pra caramba! Muito obrigado galera!

Vi ses!

postado por: Eduardo de Paula Silva 1:43 PM
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Sexta-feira, Abril 11, 2003

Vida de Sueco por ele mesmo! Um adeus.

Era lá, numa sexta feira ensolarada de agosto que um primeiro post foi escrito. Dizia que faltavam 28 dias pra eu embarcar numa aventura. Dizia também que a sensação daquele momento era uma mistura de "que chegue logo" com "tomara que demore bastante".
A iniciativa de criar um blogger se deve exclusivamente ao fato de eu estar embarcando nessa viagem. A página seria uma espécie de canal de comunicação com a minha família. Seriam seis meses de lonjura. Seriam seis meses em que as notícias seriam dadas como se fosse num jornal diário.

E foi assim. Nascia o Vida de Sueco. Nunca tive pretensão nenhuma com o site. Não criei pensando em conhecer pessoas. Aliás nem sabia que blogger poderia ser interativo. Aliás, pra falar a verdade, nem sabia direito que coisa era essa de blogger. No começo confesso que fiquei um pouco assustado com a repercussão. Aos poucos mais e mais pessoas começaram a participar da minha vida. Davam conselhos. Brigavam comigo. Apaixonavam-se. Odiaram-me! E foram longas histórias até aqui. Amizades nasceram. Até um começo de namoro o tal diário me proporcionou. Conheci muita gente. E principalmente, passei a fazer parte de muitas novas histórias.


Gente como eu, aventureira. Um bando de "perdidos" na Suécia, nos Estados Unidos, na Bélgica, Holanda, no Brasil.
Gente que me ajudou na saga da Barbie Patinadora. Gente que se colocou a disposição para assumir um papel no meu roteiro de filme. Gente que leu meu conto. Gente que acompanhou a guerra comigo. Gente que cantou Color Esperanza da mesma forma que eu.

Foram inúmeros comentários. Posts atrás de pots. Vício. Fiquei procurando um dia a fórmula pra me curar dessa enrascada. Não poderia ir pra casa sem antes aparecer e dizer que estava bem.


Escrevi muita coisa melancólica. Todos descobriram (inclusive minha própria família) essa minha alma de poeta frustrado. Aliás todos descobriram em mim eu acho um lado que ninguém conhecia. Esse lado melancólico, pensativo, sentimental.

Fiquei com medo de me expor demais. Tem coisas que a gente só fala é pra gente mesmo. E fui prudente. Muita coisa ficou comigo. Escondida atrás das minhas palavras. Segredos nunca foram revelados. Mas minha alma foi colocada aqui. Num amontoado de letrinhas, palavras formando sinfonia. Foram sete meses de posts.

Nesse tempo escrevi direto da Suécia (maior parte do tempo). Mas também postei de Amsterdã, de Paris, de Londres, do Brasil. Contei grandes momentos. Fiz declarações de amor pra muitas pessoas. Fugi da minha depressão solitária através dessas palavras.

A cada dia que amanhecia, a primeira coisa a fazer era analisar os comentários. Saber qual a repercussão de cada um dos meus posts. A necessidade de agradar é sempre a tônica dominante dos meus atos. Fugi de responsabilidades. Assumi posturas arrogantes às vezes. Critiquei sueco. Elogiei o Brasil. Mostrei a minha cara. Dei uma entrevista.

Fui além. Contei meu passado. Expus feridas. Fiquei nu diante de mim mesmo. E agora estou a ponto de ir embora. Embarcar no barco de volta. Sair do mundo que criei pra mim e voltar ao mundo real.

Sim, tudo aqui na Suécia não é meu. Nada do que tenho aqui me pertence. Vou deixar tudo pra trás quando partir na próxima semana. Não vou olhar pra trás. A vida cumpriu seu papel de forma surpreendente. E desse tempo todo sobrarão grandes memórias. Em fotografias e em posts. Lembrarei cada dia quando reler meus posts. Não esquecerei de ninguém que me visitou. Dos aprendizes de duendes aos descambados!

São todos amigos que agora fazem parte do meu mundo. Não meu mundo não existe mais sem vocês. Não serei capaz de viver daqui pra frente sem colocar aqui minhas opiniões sobre os fatos. Não vou deixar uma história sem fim.

Ainda há muito o que responder sobre o que vai acontecer comigo. Acho impiedoso sair e dizer um tchau, a gente se vê por aí sem antes explicar o rumo de todos os personagens que circularam por aqui.

Mas mais importante. Fundamental pra mim será a continuidade das outras histórias. A minha eu viverei. As outras terei o prazer de me sentar diante dessa máquina esquisita e ler vidas. E acompanhar destinos se cruzando. E saber que em qualquer lugar do mundo, pessoas comuns, desprovidas de qualquer espírito de artista fazem das suas vidas uma grande obra de arte.

O nome do site está mudando a partir de segunda feira. Ele continuará no mesmo endereço (por enquanto pelo menos!). Mas terá um outro nome. Vida de Sueco está ficando pra trás. Agora nasce a Vida de um Brazuca. É esse o novo nome desse diário. E não é mais um diário.

O Vida de um Brazuca agora é mistura de diário, álbum de fotografias, jornal, divã, ponto de encontro.
E antes de mais nada, é parte de um futuro construído com sólidos pilares de um passado sueco. Quero que vocês sejam sempre bem vindos aqui. Seja na Suécia, no Brasil, no Japão.

Continuem bem vindos,

A Vida de Sueco acaba de ficar pra trás.
Uma nova vida está nascendo!

E é uma vida de um brasileiro feliz. De bem com a vida. Cheio de coisa boa aqui dentro.
É...é a vida sim de um brazuca orgulhoso!

Um cara que não vai esquecer jamais de nada que aconteceu aqui.


Bom final de semana!

postado por: Eduardo de Paula Silva 12:58 PM
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Quinta-feira, Abril 10, 2003

Últimas notícias.
As mais recentes eu quis dizer.


Daqui exato uma semana, numa hora dessas, estarei voando pra casa. É, em sete dias estou chegando. Ufa!

Aqui neva pra caramba. As ruas estão ficando totalmente "alagadas" por esses flocos brancos de novo. Eu tinha certeza que não ia ter mais que limpar o carro de manhã. Enganei-me redondamente!

Não tenho mais saco pra fazer comida.Tô precisando urgentemente ser paparicado pela minha mãe. Quero arroz, feijão e carne de panela (quem diria heim?!). E tudo isso sem eu ter que meter minha barriga na beira daquele fogão. Sei que minha mãe não é minha cozinheira. Mas não há no mundo comida mais gostosa do que a dela! Isso eu posto apostar!

Li hoje de manhã que pelo visto a guerra acabou. Antes tarde do que nunca né?! Não vou comentar sobre os efeitos dessa guerra praquele país. Também não vou lamentar mais a morte de tantos inocentes. Todo mundo sabe o que eu penso disso!

Ontem rolou um jantar espanhol. Tortilla, frango com pimientos, pão. Curti! E ficamos ali Amaia e eu, descobrindo diferenças e curiosidades sobre os nossos países! Desse intercâmbio de culturas eu vou realmente sentir muita falta!

Ontem também rolou a reunião final com a diretoria para apresentar nossa proposta de solução para o projeto que eu vim tratar aqui. E o resultado foi muito animador. Todos ficaram muito felizes com o nosso trabalho! Lembra quando publiquei sobre o meu trabalho e sobre o que eu estava fazendo aqui? Então, aquele esqueleto agora está em pé. Estamos agora na fase de começar a dar vida a ele. Daqui a pouquinho ele vai estar respirando, pensando, agindo e pulsando as informações que a gente precisa que ele pulse! Foi um trabalho e tanto! Curti.

E pra terminar...

Essa manhã. 7:15, toca o celular. Adivinha quem? Ele mesmo O doido do Japa. Direto de Floripa, madrugada. Queria contar as novidades e claro pedir favores! É isso brother! A gente se vê na Páscoa aí em Sampa.


Bom dia pra todo mundo!

postado por: Eduardo de Paula Silva 10:56 AM
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Quarta-feira, Abril 09, 2003

Fotografias

Eu era uma criança. Pouco mais de quatorze anos. Uma nova escola. Um curso de processamento de dados. O que seria isso, heim?
Processar os dados? Transformar o quê? Que dados eram esses?
Lembro que o final de 1991, começo de 1992 foi uma verdadeira tortura pra mim. Naquele final de ano, naquela praia em Itanhaém, os meus pensamentos só conseguiam se fixar na lista de aprovados no "vestibulinho" da ETE Lauro Gomes. Era muita gente querendo estudar no mesmo lugar.
E por que eu tinha escolhido logo a carreira mais difícil?
Éramos vinte e seis disputando uma única vaga!

(...)

Enfim aquele 07 de Janeiro tinha chegado. Minha mãe comigo, subimos o morro em direção à lista de aprovados. Não, eu tinha certeza que tinha passado. Sim, a desconfiança sobre a minha certeza também era forte.

Eduardo de Paula Silva, aprovado. Eu era sim um ETEANO e estaria apto a entrar no mundo dos "nerds" da informática.
Acho que com quatorze anos aquela tinha sido sim a minha grande conquista.

(...)

Primeiro dia de aula. Escola vazia. Cheguei cedo. Medo de perder o ônibus. Medo de não achar os prédios. Medo comum a um menino de quatorze anos passando por um novo momento na vida.
Bloco 3. Escadas por subir. Ninguém no corredor.
Sentei-me em um banco, bem em frente a uma sala de aula. O banco já era ocupado por uma menina. Estilosa. Bonita. Lia alguma coisa. Não prestou atenção em mim.

- Oi, posso sentar aqui?
- Sim, claro... - sorriso bonito. Ela era mesmo uma menina bonita!
- Estuda aqui?
- Tô começando.
- Que curso?
- PD.
- Eu também.

(Silêncio. Um menino de quatorze anos. O que dizer...)

- Qual turma?
- Primeiro Z.
- Que legal. Eu também. Então seremos amigos de turma.
- Jóia. Meu nome é Amanda, e o seu?
- Eduardo.

Amanda. Primeira pessoa que eu encontrei naquela escola. Muita coisa aconteceria depois desse encontro. Aliás, esse diálogo terminava com uma revelação interessante.

- ... e fui ver no cinema Dança com Lobos, você viu? - perguntou ela.
- Não. Mas vi Ghost. E gostei bastante.

Ela deu uma risadinha esquisita. E terminou assim.

- Você também gosta desses filmes melados né?!


É eu gostava...
E talvez eu goste ainda.

(...)

Foram quatro anos naquela escola. Conheci muita gente legal. Formei um pequeno grupo de amigos. Também namorei pelos quatro anos. Sim, com essa mesma Amanda desse primeiro encontro. Nossa história durou exatamente o tempo em que estivemos naquela escola.
De quatorze, saí com dezoito. Não é muito mas certamente é o período mais importante da minha vida. Aprendi coisas que nunca mais esqueci. Guiei meu futuro com aquele aprendizado. Se estou agora na Suécia trabalhando com dados, aqueles mesmos que eu não sabia processar antes, devo muito a esse tempo de escola técnica.
E se hoje eu consigo escrever o que eu sinto devo muito a esse tempo também. Sim, foi lá que eu aprendi a ser gente de verdade. A ETE viu nascer um homem. E deixei nas escadarias dos blocos 2,5,quadra,lanchonetes toda os sonhos de um menino de quatorze anos.

(...)

Estudei lá de 1992 a 1995. Formei-me em 1996. Grande baile no Clube Juventus. Ainda era namorado da Amanda. Ela, de vermelho. Todo mundo muito feliz. Tínhamos fechado um ciclo importante na nossa vida. O que seria dali pra frente ninguém imaginava, mas um pacto era travado.

Não esqueceríamos um do outro.
"Por onde eu andar, vou lembrar de você!".

(...)

2003. Sete anos depois. Apenas lembranças ainda restam. O pacto foi cumprido. Ninguém esqueceu de ninguém. Mas ninguém viu mais ninguém. As histórias todas mudaram totalmente. Algumas ainda continuam entrelaçadas. Outras se perderam no mundo.

Sei que o André, aquele, o loirinho, casou e tem dois filhos.
Sei que o Fábio, aquele, o que ficou com a Kelly, também vai ser pai.
Sei que a Elaine se formou psicóloga.
Sei que a Patrícia se formou jornalista e agora tá indo pra Espanha.
Sei que o Eduardo está se formando engenheiro mecânico e vive na Suécia. Aliás viveu, porque está indo embora agora.
Sei que o Frank foi estudar na Unicamp.
Sei que a Amanda casou, está se formando engenheira eletrônica.

Leandro, Márcio. O que terá acontecido com suas vidas?

E não sei que fim deu o Jerônimo, nem a Kelly, nem a Kátia.
Tão pouco consigo imaginar o que terá acontecido com a Alessandra, com a Denise, com a Gláucia.
Nenhum deles nunca mais cruzou pelo meu caminho.

(...)

23 de Abril de 2003. Futuro próximo.Bar na Av. Kenedy em São Bernardo.
Alguns personagens desse passado estarão de volta juntos. O grupo que foi responsável por fazer um comercial de fábrica de produtos plásticos no final do curso estará reunido de novo.
Fábio, Elaine, Leandro, Márcio, Amanda e eu.
Serão muitas histórias pra contar.E será uma emoção difícil de esquecer.

(...)

Abrir um álbum de fotografias é sempre muito doloroso, eu sei.
Mas graças a Deus as lembranças que eu tenho são de momentos fantásticos. O da ETE está lá, no meu armário, esperando pra ser aberto.
Sim, tem muitos outros empilhados sobre ele. E tá chegando mais um lá: O Vida de Sueco.

Mas por mais que eles se empilhem sempre há de existir uma base.
E posso afirmar que a base de todos é um avermelhado, meio empoeirado já e cheio de grandes momentos.
Um álbum de um tempo em que o futuro ainda era uma porção de sonhos guardados numa caixinha de papelão.


Vou abrir esse álbum agora. A magia daquele tempo não voltará mais, eu sei. O tempo passou e transformou todo mundo, mas quero abri-lo sim!

Sei que lágrimas vão rolar pelo rosto.
Não terei como segurá-las.

Fotografias recortadas. É assim que é!

(...)

Até amanhã!

postado por: Eduardo de Paula Silva 11:31 AM
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Terça-feira, Abril 08, 2003


Se o vento não levou ainda, vai levar com certeza!

A ventania aqui tá coisa de louco! Ouvi dizer que no sábado chegava a quarenta por hora lá em Estocolmo. E eu acredito! Como sou um verdadeiro chassi de grilo provido de dois aparelhos aerodinâmicos sobressalentes (par de orelhas de abano!) estou a ponto de levantar vôo. Mas voar agora só com a KLM daqui a uma semana mesmo!

E ontem depois de muito tempo fiquei em casa. Dia de lavar roupa. E ver TV. Acompanhei todo o noticiário da TV espanhola.Um jornalista espanhol morreu lá no Iraque. Triste, eu sei. Mas e quantas pessoas iraquianas, não iraquianas e sei lá mais o quê já não morreram nessa guerra? Sim, sei que perder um jornalista é triste. Mas não gostei da forma como a televisão noticiou o fato. Era como se naquele momento pra eles a guerra deixasse de fazer sentido. Nunca nenhuma guerra fez sentido minha gente! Fala aí pra aquele seu governante com cara de safado que apoiar sanções como essa só me faz desacreditar que a Espanha se solidariza de verdade com aquele monte de inocente morto com uma bomba no meio da testa!
Mas ao final da notícia, me veio uma pergunta.

Amigos(as) jornalistas, respondam aí. O que leva uma pessoa aceitar cobrir uma guerra como essa lá em Bagdad? Qual é o sentimento "jornalista" que carrega vocês para situações de extremo perigo como essas? Queria saber...


Papelão.

E no mesmo jornal fiquei sabendo da papagaiada que foi o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Que vergonha não?! Se não tem competência pra fazer uma pista adequada para escoar a água que não faça nada então!
Devíamos é sediar corridas de carrinhos de pipoca! E mesmo assim com cuidado pra nenhum monomotor de político safado cair na cabeça de um deles!


Mais uma do jornal espanhol. Esportes agora!

Hoje é dia de quase final na Copa dos Campeões (Copa da Europa). Vai rolar o jogo entre Real Madrid e Manchester United, dois dos maiores times europeus na atualidade. E lá em Madrid vão se enfrentar David Beckham (aquele jogador-modelo, fenômeno da mulherada! Mostraram o fulano chegando no aeroporto de Madri. O cara tava mais assediado que Brad Pitt em Lendas da Paixão!) e o nosso esquentadinho Roberto Carlos (nem tão modelo assim mas acho também fenômeno da mulherada! Afinal qual jogador de futebol não é?).
A TV deu destaque aos jogadores e fiquei sabendo que os dois times só se enfrentaram três vezes na história dessa copa. Duas delas vencidas pelo Manchester e uma pelo Real Madrid. Esse jogo de hoje (20:45h do horário daqui) é válido pelas quartas de final e é eliminatório. E de acordo com o telediário todas as vezes que esses times se enfrentaram o vencedor da peleja foi o campeão da Copa. Vamos ver! E pra ficarem com orgulho de mim, vou avisando. Vou pra casa hoje em tempo de ver o tal jogo! E amanhã conto como foi essa experiência. Vida de Sueco solitário é isso. Até jogo de futebol pela TV vira programa imperdível!

Hora de dizer tchau!

E por aqui começaram as despedidas. Povo que tá saindo de férias e vem aqui, desejam boa sorte. E como é chato falar tchau né?!
Sei que já falei sobre isso, mas odeio despedidas. É sempre muito difícil dizer good bye seja qual for a situação. Eu não aprendi dizer adeus não! (Já diziam Leandro e Leonardo...). Mas vou aprender e em breve estarei dizendo aqui também!

Por enquanto, é só um até amanhã mesmo!

postado por: Eduardo de Paula Silva 10:36 AM
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Segunda-feira, Abril 07, 2003

Balada pouca é bobagem!

Pra quem pensou que agora que eu estou sozinho no mundo eu perderia o pique, enganou-se. Aliás eu mesmo me enganei. O Final de semana foi agitado pra burro. Fui pra três baladas diferentes. Sexta, sábado e domingo. Todos os dias chegando em casa só mesmo depois da uma da manhã. E posso dizer que foi muito bom! Curti pra caramba todas elas. Além disso fui muito no cinema também esses dias. E agora estou de volta pra derradeira semana de trabalho! Não, semana que vem ainda venho aqui mas já tô considerando essa minha última semana.

Minha mãe me perguntou se eu vou ficar triste em deixar isso aqui. Claro que não. Vou sentir saudade de muita coisa. Vou sentir falta de muita gente. Mas triste não. Acho que eu tô levando grandes experiências na mochila e uma vontade enorme de começar tudo de novo!

Tenho muito pra falar não. O principal é mesmo que eu ando perdidamente apaixonado pela vida. E acho isso é o bastante por agora.

Até.

postado por: Eduardo de Paula Silva 3:28 PM
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Sexta-feira, Abril 04, 2003



A incrível arte de viver a vida.


Essa minha semana aqui no blog foi uma semana complicada. Eu acabei escrevendo coisas que, acho, confundiram uma pessoa.
Não. Não era a minha intenção de forma alguma confundir ninguém. Das minhas confusões eu me basto. Não quero com elas magoar, deixar ninguém triste ou "com medo da vida". Também não quero que nada que eu faça ou deixe de fazer transforme a vida de ninguém em um drama ou suspense. Apesar de particularmente gostar mais desses gêneros do que de comédias românticas ou filmes de aventura eu não quero não dramatizar a vida de ninguém.

E essa é uma história que nasceu aqui. A Van se encantou por mim, pelas minhas palavras, pelas coisas que eu dizia aqui. Imaginou um Eduardo. Criou uma imagem na cabeça dela. E um dia conheceu-me pessoalmente. Foi lá em São Paulo no começo do ano. Eu também me encantei por ela. Pessoa linda, cheia de sonhos, de ideais. Os desejos todos muito parecidos com os meus. A vontade de realizar projetos audiovisuais, o gosto pelo cinema, pelo teatro, pela vida enfim.
Ficamos juntos lá no Brasil um dia antes de eu voltar pra Suécia. Voltei pra cá. Voltei pra minha vida de sueco e deixei lá no Brasil uma "semente" plantada no coração dela. Nunca em nenhum momento destruí a semente. Também não tô tendo condições de regá-la. Estou longe. E a distância me confunde. O passado sempre bate à porta do presente.

A minha vida, quando eu voltar pro Brasil, vai estar muito diferente. Tenho novos planos profissionais. Tenho muitos desafios pra cumprir. Não digo com isso que o desafio de "namorar" alguém depois de anos e anos sozinho não esteja nos meus planos. Mas antes disso é preciso que nos conheçamos mesmo. De verdade. Sabe aquela história de sapo que vira príncipe? Então...tenho medo do contrário: O "príncipe" acabar virando um sapo.

Van, essa história nasceu aqui. Li coisas no seu diário que me decepcionaram um pouco. Não quero não, de forma alguma deixá-la triste. Só quero viver a vida um dia de cada vez. Hoje estou na Suécia. Essa é a minha realidade agora. E por mais que nos falemos, por mais que sejamos parecidos, por mais que um futuro exista pela frente ainda não chegamos até ele.

Essa é uma coisa que após muito brigar comigo mesmo eu aprendi a encarar. A necessidade de viver o momento no exato instante em que ele acontece. Por isso, apesar de saber que em muitos casos é sempre melhor o plano, eu vivo de momentos. Eu gosto de aproveitar o segundo que Deus me dá da melhor forma. Gosto de me entregar ao espaço-tempo de forma integral. Não gosto de me prender em projeções. Não gosto de criar ilusões de alguma coisa que vai acontecer amanhã. Se ela acontecer ficarei feliz. Mas será só amanhã.


Por isso, digo sempre. Sonhar é muito bom. Os sonhos alimentam a nossa alma. Enche-nos de "combustível" pra continuar a jornada. Criam em nossas cabeças estradas maravilhosas. Mas no final, pro sonho virar realidade, a estrada precisa existir de verdade. É preciso caminharmos nela. É preciso que existam esquinas. Que existam escolhas.


É. Estou chegando no meu penúltimo final de semana na Suécia. Vou curtir ele também. Vou curtir a Vida de Sueco que é tudo que eu tenho agora. Vou sair por aí. Vou procurar por cantos inexplorados. Vou beber um bom vinho. Vou comer um bom bolo recheado. Vou sentar e ler no Sol. Vou andar de carro. Vou admirar as estrelas. Vou encher meu peito de ar puro. Vou dançar. Vou embalar meus sonhos com um pouco da realidade. Vou pensar no futuro sem tirar os pés do presente. Vou voltar pro Brasil em pensamento. Quero ouvir boa música. Quero ver bons filmes.

Mas quero antes de mais nada viver um dia de cada vez. Hoje será o dia mais importante de todos até que chegue o amanhã. E quando amanhã chegar, terei certeza que o que fiz agora terá sido fundamental.
Pra mim, pra quem me cerca e pra quem sonha comigo.

Viva o momento. Seja feliz agora.

Carpe Diem.

postado por: Eduardo de Paula Silva 9:24 AM
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Quinta-feira, Abril 03, 2003



Grande noite!

Nada como um dia após o outro mesmo!
Ontem estava mal, me sentindo sozinho, carente! Passei o dia com cara de coitadinho, pensando na porcaria do tempo e na solidão.
Mas surpreendentemente após sair do trabalho, a vida entrou num ritmo de subida e no final da noite eu estava lá, no mais alto posto de realização.

E o que aconteceu de tão especial?

Bom. O tempo continua uma merda! Nevou pra caramba. Tudo voltou a ficar branco de novo por aqui. Eu que já tinha guardado meus apetrechos de esquimó tive que resgatá-los todos. Aquele sol maravilhoso da semana passada deu vez a um friozinho estranho. Isso porque no domingo nós entramos no horário de verão europeu!? (Acho que foi pra comemorar! Alguém me disse que o inverno é igualzinho aqueles vilões das histórias em quadrinhos...sempre dá uma última aparecida, aquele risada sarcástica e com aquela voz maquiavélica revela que ele voltará. Acho que aconteceu isso aqui!).

Bom , com esse tempinho nada melhor do que andar no shopping. E desse vez, o passeio pelo Heron City tinha um sabor especial. Eu iria encontrar a Camila. Seis e meia. Estacionamento. Eu parei o meu carro exatamente ao lado do dela, sem saber. Não conhecia. Ela tinha visto minha foto um dia. Mas assim que olhei praquela pequenininha saquei. Só podia ser a Camila.
Foi uma noite muito gostosa. Conversamos bastante. Eu estava acompanhado da minha amiga espanhola (Amaia) e ela do bebê (que tem mais de um metro e noventa pra ser um bebê...) Martin. É Dona Beth...sua filha é mesmo tudo aquilo que a senhora descreveu no email. Eu adorei conhecê-la. E disse à ela que vou ao Rio. Quero dar um "Oi" pra senhora também pessoalmente. Assim que ela chegar aí dou um jeito de dar um pulinho por essas bandas!

Camila, valeu pela noite. Você não faz idéia de como foi legal pra mim. Eu estava mesmo em um dia terrível e esse nosso encontro fez com que eu voltasse pra casa feliz. De verdade, você é uma garota muito especial.
E antes de eu ir embora, agente se vê outra vez. E se possível com uma tigela de brigadeiro na nossa frente!


A Amaia, minha amiga espanhola também é uma pessoa que se aproximou muito de mim quando o Gabriel se foi. Agora ela é minha principal companhia! E é uma pessoa muito especial pra mim. Ela é de Bilbao. Tem aquele sotaquezinho espanhol que eu adoro e é linda! Acho que vai ser muito difícil esquecê-la quando tiver que dizer Adeus. Mas esse é mesmo o segredo da vida. Aos poucos, esquina a esquina, a gente vai esbarrando em pessoas queridas, criando vínculos, marcando o espaço.
E sei que mesmo com a separação de nossos destinos eu não vou esquecer ninguém. E nãoperderei a esperança de rever todo mundo!

Por isso termino o post com essa música aqui. Um dia eu traduzo. Mas o título é "Custa-me tanto esquecer-te". Sugestivo. E vem bem a calhar!


Mecano
Me cuesta tanto olvidarte


Entre el cielo y el suelo hay algo
con tendencia a quedarse calvo
de tanto recordar

Y ese algo que soy yo mismo
es un cuadro de bifrontismo
que solo da una faz

La cara vista es un anuncio de signal
la cara oculta es la resulta
de mi idea genial de echarte
me cuesta tanto olvidarte
me cuesta tanto

Olvidarte me cuesta tanto
olvidar quince mil encantos
es mucha sensatez

Y no sé si seré sensato
lo que se es que me cuesta un rato hacer
cosas sin querer

Y aunque fui yo quien decidio que ya no más
y no me canse de jurarte
que no habrá segunda parte
me cuesta tanto olvidarte
me cuesta tanto olvidarte
me cuesta tanto...

Y aunque fuí yo quien decidió que ya no más

postado por: Eduardo de Paula Silva 11:16 AM
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Quarta-feira, Abril 02, 2003


Por mais um dia.

Os dias aqui na Suécia estão cinzas de novo. Frio. Vento gelado.
Eu também ando meio cinza por dentro. Acho que ando sentindo o clima de fim de temporada. 21 de setembro de 2002 eu chorava feito criança no aeroporto despedindo-me dos meus pais. Foram mais de sete meses até agora. Dia a dia olhando pra frente na esperança de chegar logo no fim do túnel. Hoje, depois desse tempo todo, vejo a linha de chegada. E me sinto feliz. E triste ao mesmo tempo.
Quem de nós, um dia, não sonhou com uma possibilidade dessas? Sete meses longe de casa, longe dos problemas, longe das frustrações, num mundo totalmente novo, pessoas novas, vida nova.
E agora tudo está por um fio. Os últimos minutos de uma vida de sueco estão sendo dificilmente vividos. Está difícil sim. Eu estou me sentindo muito sozinho apesar de tudo. Acho que eu tô cansado. Mas em nenhum momento eu digo que não valeu a pena. Pelo contrário, nunca mais, tantos quantos forem os anos que vingarem, eu vou me esquecer desses meses todos. Não vou esquecer das festas, das risadas, das baladas, dos jogos de boliche, dos filmes no cinema, das viagens, das brigas.
Não vou esquecer das pessoas. Ninguém, sendo elas reais ou comentaristas de um blogger. Não vou esquecer do blogger. Não vou esquecer das minhas crônicas e de todas as outras que eu li nesse tempo todo. É...não vou mesmo esquecer de nada.Se o fizer estarei esquecendo de mim.

E agora, nesse momento, todos dormem lá no Brasil. Um dia vai começar daqui a pouco. As pessoas vão sair apressadas de casa. Estarão todas preocupadas em vencer mais um dia, em saírem ilesas de mais uma batalha. Eu, involuntariamente penso muito nisso. E acho fantástica a forma como esses destinos todos, de pessoas comuns vão se cruzar daqui a pouco. E sei também que em breve eu estarei cruzando outros destinos também. A vida foi longe demais com algumas pessoas. É preciso resgatá-las antes que caiam. Vou tentar fazer isso. Se conseguirei? Não sei, vai depender da força do vento e da coragem das pessoas em agirem a seu favor. Tomara que consigamos. Somos jovens demais!

É...hoje não tenho mesmo o que falar. E quando fico assim acabo escrevendo esse monte de bobagens. Fico parecendo um filósofo frustrado. Um escritor enrustido. Talvez seja isso mesmo. Mas uso esse espaço pro meu próprio desabafo. Então pronto! Obrigado por servir de divã! E desculpa a consulta sem pagar por ela. Mas eu preciso de vocês.

E deixo uma música aqui. Está martelando na minha cabeça desde ontem.


Você que tanto tempo faz
Você que eu não conheço mais
Você que um dia eu amei demais

Você que ontem me sufocou
De amor e de felicidade
Hoje me sufoca de saudade

Você que já não diz pra mim
As coisas que eu preciso ouvir
Você que até hoje eu não esqueci

Você que eu tento me enganar
Dizendo que tudo passou
Na realidade aqui em mim você ficou

Você que eu não encontro mais
Os beijos que já não lhe dou
Fui tanto pra você e hoje nada sou

postado por: Eduardo de Paula Silva 10:43 AM
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Terça-feira, Abril 01, 2003

Pega na mentira!

Não curto essa estória de primeiro de abril não.
E hoje li um post lá no Amarula com Sucrilhos que me deixou nervoso.
Leiam, depois entrem nos comentários.
Eu espero que seja mesmo uma piadinha infame de dia da mentira!


Ontem foi foda! (Desculpem!).
Mas me peguei chorando no caminho do aeroporto pra casa.
Sete meses depois e muitas histórias pra contar meu amigo japinha se foi.
Agora são recordações e uma vontade enorme de chegar logo o dia de ir também!

Só pra não deixar passar em branco. Há sete anos atrás, um moleque de dezenove anos entrava naqueles escritórios daquela grande fábrica de caminhões.
Era o meu primeiro dia de trabalho. Um trabalho que me traria grandes surpresas, desafios, amigos e principalmente mudanças!

Vou ficando por aqui. Protestando com a falta de comentários que o meu site anda passando. Acho que tô mesmo esquecido por todo mundo!
Eu sei que não deveria me importar com isso afinal escrevo porque gosto.
Mas também adoro os comentários e visitas!


Até.

postado por: Eduardo de Paula Silva 2:37 PM
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